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Boas vindas, nossa visão de mundo e princípios de governança que orientam nosso dia a dia.

Desafiar as estruturas de desigualdades

Nossa percepção do mundo é que precisamos desafiar as estruturas de desigualdades que moldam o acesso às tecnologias digitais no Brasil, transformando-as em ferramentas de empoderamento real para todos.

Como organização dedicada à inovação social, vimos de perto como o avanço da internet – que chega a 90% dos domicílios brasileiros – não se traduz em inclusão verdadeira, deixando 7,28 milhões de lares sem conexão fixa e 76% da população sem habilidades digitais básicas, conforme dados da ANATEL.

É nesse cenário contraditório que construímos nossa Teoria da Mudança: não como um mapa linear, mas como uma narrativa viva de ações coletivas que reconectam pessoas periféricas ao poder transformador da tecnologia.

Imagine um país onde a conectividade urbana explode, mas as periferias permanecem isoladas: esse é o Brasil que nos move. Partimos dessa realidade para explicar, passo a passo, por que nossa estratégia foca em alterar dinâmicas de poder, capacitando comunidades a protagonizarem suas próprias transformações. Vamos desdobrar isso de forma clara, como quem conta uma história jornalística de campo, cheia de fatos concretos e lições aprendidas nos territórios.

Nossa jornada começou ao mapear as fissuras do sistema brasileiro. Nós observamos que, apesar dos 90% de acesso à internet, apenas 24% dos brasileiros dominam habilidades digitais básicas – um abismo que perpetua exclusões em serviços financeiros, saúde e emprego. Para ilustrar: 12,4 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza, 8,1 milhões estão desempregadas, e 59% dos lares não têm computadores, criando barreiras que vão da informação à participação política.

É como se a revolução digital passasse ao lado de milhões, aprofundando desigualdades econômicas, educacionais e sociais que nós combatemos diariamente.​

Adicione a isso os investimentos públicos insuficientes: o Brasil gasta apenas US$ 2.525 por aluno em educação e US$ 1.290 por habitante em ciência e tecnologia – os menores entre 15 países comparáveis, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Nós percebemos que essa escassez freia a inovação nacional, enquanto o setor privado projeta R$ 510,5 bilhões em tecnologias como nuvem e IA até 2025, demandando 570 mil profissionais qualificados com salários 2,6 vezes acima da média. Essa discrepância nos alertou: sem capacitação inclusiva, o boom tecnológico beneficia poucos, deixando territórios periféricos para trás.

Em resumo, nosso contexto é de urgência: a exclusão digital não é acidente, mas sintoma de poderes concentrados que negam ferramentas de mudança às comunidades.

Nós, como testemunhas ativas, usamos esses dados para justificar uma estratégia que parte do base para o base, incentivando lideranças de território a criarem soluções territoriais.

Nossa Teoria da Mudança não é teoria abstrata; é nossa crença, criada a partir de experiências reais, de que a transformação surge da ação coletiva, não de imposições top-down.

Nós entendemos a mudança como complexa e interconectada, longe de caixas organizadas – uma visão que nos leva a centralizar o poder no cerne das injustiças, como discriminação e violência digital. Por quê? Porque, em nossa percepção, eliminar desigualdades significa fazer das tecnologias um espaço para todos, impulsionando agentes de inovação social nos territórios.

Primeiro, reconhecemos que o poder sustenta exclusões, mas pode ser reequilibrado por movimentos de base. Segundo, acreditamos que territórios periféricos têm sabedoria própria para se desenvolverem. Terceiro, investimos em conexões próximas – presenciais ou digitais – para gerar representatividade. Quarto, valorizamos equipes permanentes e organizações de base como motores de impacto. E quinto, garantimos infraestrutura acessível para que ideias floresçam. Essas premissas nos guiam porque vimos, em iniciativas passadas, como elas transformam isolamento em protagonismo.

Estratégia de Inovação

Nós escolhemos três eixos para nossa ação – Inclusão Digital, Educação STEAM e Inovação Social – porque eles respondem diretamente ao contexto de escassez e demanda que descrevemos.

No eixo de Inclusão Digital, desenvolvemos iniciativas para todas as idades, convertendo-as em tecnologias sociais descentralizadas, para que 76% sem habilidades básicas não fiquem para trás. É nossa forma de garantir que o acesso evolua para uso criativo e participativo.

Na Educação STEAM, focamos em juventudes para cultivar pensamento científico e tecnologias sustentáveis, combatendo os baixos investimentos públicos enquanto preparamos para as 570 mil oportunidades em TI. Nós transformamos essas práticas em ecossistemas nacionais, promovendo inclusão social através do conhecimento. Já na Inovação Social, incentivamos territórios a liderarem soluções locais, fortalecendo empreendedorismo e acesso a espaços de poder. Essa integração justifica nossa abordagem: ao unir inclusão, educação e inovação, alteramos dinâmicas de poder de forma sistêmica.

Nossa implementação mobiliza recursos como nosso time experiente, redes de parceiros e incidência em políticas públicas, monitorando comissões federais para mais investimentos em C&T. No curto prazo, testamos e documentamos tecnologias sociais, mobilizamos recursos via leis de incentivo e formamos lideranças empreendedoras.

No longo prazo, vemos organizações implementando nossas práticas, governos adotando políticas afirmativas de gênero e raça, e ecossistemas financiando impactos locais.

Em nossa visão final, o impacto é: tecnologias digitais acessíveis a todos e cidadãos capazes de transformar territórios e influir no poder.

Processo Contínuo de Governança

Governança é o jeito como cuidamos do que construímos juntos: como decidimos, como usamos recursos, como protegemos pessoas e como prestamos contas do impacto que prometemos gerar. É o que transforma intenção em prática diária, e prática diária em confiança.

A Casa Hacker é uma organização sem fins lucrativosarrow-up-right que existe para fazer das tecnologias digitais e a inovação social um lugar para todos, fortalecendo a autonomia de cada pessoa para transformar seu território. Ao longo de mais de sete anos, atuamos influenciando políticas públicas de direitos digitais, ampliando inclusão e educação tecnológica, formando pessoas para carreiras em ciência e tecnologia, desenvolvendo habilidades socioemocionais e levando para territórios inteiros conversas e ferramentas sobre privacidade, segurança e combate à desinformação.

Seguimos expandindo uma rede de lideranças para avançar a educação STEAM e a transformação de territórios em todo o Brasil. Nossa história confirma algo simples e potente: periferia, tecnologia, criatividade e oportunidades justas mudam destinos e desafiam desigualdades. Por isso, nossos programas nascem e crescem da base para a base, de periferia para a periferia, com compromisso público e responsabilidade coletiva.

Como toda organização da sociedade civil, enfrentamos desafios específicos: restrições de recursos, múltiplas fontes de financiamento, expectativas diversas e a necessidade permanente de manter coerência entre propósito e prática. É aí que a governança deixa de ser “burocracia” e se torna proteção. Ela sustenta o que fazemos, reduz vulnerabilidades, fortalece a transparência e garante que a Casa Hacker continue existindo para servir ao interesse público, com ética e consistência.

Governança é um processo contínuo, não um “projeto com fim”. Ela se atualiza com a realidade do território, com aprendizados e com as pessoas que constroem a Casa Hacker todos os dias. Quanto mais gente entende e usa as políticas, mais a organização se fortalece por dentro e gera impacto por fora.

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